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O Comitê Olímpico Internacional apontou o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/ Antonio Carlos Jobim, mais conhecido como Galeão ou só Tom Jobim, como um dos principais gargalos na candidatura da cidade para sediar a Olimpíada de 2016. O governo estadual, assustado, mas já sabedor das dificuldades de seu principal aeroporto, pressionou e conseguiu que o governo federal testasse, a partir de 2009, um modelo concessão para o Galeão. Pode ser que assim a garantia de que o aeroporto esteja pronto para os grandes eventos esportivos (há ainda os Jogos Militares de 2011 e a Copa de 2014) dos próximos anos, venha com a privatização, mas o mercado e os passageiros já sabem que o problema de infra-estrutura aeroportuária no Brasil é bem maior. Basta ver que seis aeroportos já operam com capacidade excedida desde o ano passado (Brasília, Belo Horizonte-Confins, Curitiba, Fortaleza, Florianópolis e Manaus, todas candidatas a sede da Copa de 2014) e que o terminal São Paulo ( cujos principais aeroportos são Guarulhos, Congonhas e Viracopos) já está em fase de saturação, especialmente na cidade de São Paulo.
Para mostrar o tamanho real do problema e apontar que o receptivo internacional será o principal gargalo na Copa de 2014, já que são esperados pelos menos 600 mil turistas estrangeiros em um período de cerca de um mês, a consultoria Bain & Company preparou um estudo sobre o impacto do fluxo internacional por via aérea nos aeroportos brasileiros durante a Copa de 2014.
“Mesmo sem a Copa do mundo de 2014, o número de passageiros do modal aéreo irá quadriplicar de tamanho nos próximos anos o que irá requerer investimentos elevados em toda a infra-estrutura aeroportuária”, aponta o estudo. Segundo um dos diretores da Bain, Carlos Miguel, fazer obras agora ( e elas já estariam atrasadas) significa antecipar uma necessidade que irá cinco anos depois da Copa. “Há um crescimento orgânico, mas o evento também deixa um fluxo adicional”, explica Miguel, estimando que mais 500 mil turistas por ano venham ao País depois do evento. Fazer obras para receber o aumento pontual para a Copa de 2014, além de evitar os problemas desse aumento imediato de fluxo, significa preparar, pela primeira vez, o País para um crescimento a longo prazo.
Terminal São Paulo perto da saturação
A previsão é de que de 600 mil passageiros cheguem ao Brasil por via aérea para o evento. A maior preocupação está em São Paulo. Segundo Carlos Miguel, o doméstico não é o grande problema e sim o fluxo internacional. A privatização de Viracopos ( e do Galeão) com certeza ajudará, mas Guarulhos precisa de melhorias e aumento da infra-estrutura. “É o mínimo que se espera (de Guarulhos) para poder comportar o tráfego”, analisa o diretor da Bain & Company.
O estudo compara o crescimento da aviação no Brasil ao que vivenciou os Estados Unidos nas décadas de 50 e de 60. Na década de 1950, enquanto o PIB americano cresceu 3,6%, o transporte de passageiros subiu 15,5%. Na década seguinte os índices foram de 4,6% e 14,4% , respectivamente. Na década de 1980, o PIB continuou na casa dos 3% (3,4%), mas o tráfego aéreo já crescia bem menos, 5,7%. Ou seja, por mais dez a 20 anos, a aviação ainda vai cerscer de duas a três vezes em relação ao PIB no Brasil, o que é um crescimento acelerado, que, frente ao aumento imediato de um evento como a Copa do mundo tem de ser antecipado em termos de infra-estrutura.
“A privatização pode acelerar essas obras necessárias, talvez dê mais agilidade, mas um misto dos dois modelos ( privatizado e gerido pelo governo) é uma boa alternativa. O problema é o timing, pois os projetos demoram, há prazos longos. É preciso começar a acontecer logo”, diz Miguel.
Mesmo com o foco das atenções caindo em São Paulo, os demais aeroportos precisam de obras de ampliação e modernização. “O Galeão é muito pouco confortável hoje, precisa ser modernizado”, aconselha o consultor. Mas em São Paulo, modernização apenas não basta: “é preciso mais capacidade nos saguões, mais pistas”.
Sugestões
Banco de Dados
A Copa do Mundo e o Impacto no Modal Aéreo Brasileiro
SP em 2018
Estima-se que quando a demanda mensal dos três aeroportos de São Paulo (Guarulhos , Viracopos e Congonhas) ultrapassar os seis milhões de passageiros, o que está prevista para 2018, seria necessário já estar operando um terceiro aeroporto na região metropolitana de São Paulo ou Viracopos ter novas expansões , além da segunda pista e ter pátio e terminal expandidos, previstos para a fase intermediária até a Copa. Em 2014, a demanda chegará a 4,7 milhões, com pico de 5,2 milhões no auge das chegadas para a Copa do mundo. Com Viracopos expandido ( com tamanho similar a Guarulhos), a capacidade chegaria a 5,8 milhões, o que suportaria a demanda até 2018, apenas. A partir daí, para atender as demandas de 6,4 milhões em 2018, 7,5 milhões em 2020 e 8,8 milhões por mês em 2022, só com novas expansões em Viracopos ou Guarulhos, ou com um terceiro aeroporto nas proximidades de São Paulo. O estudo também considera inviável a construção de uma terceira pista em Guarulhos.
Fonte: Panrotas – Tendências e tecnologia – 7 a 13 de outubro de 2008