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Mulheres que fazem história

Cláudio Magnavita
Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet)
Membro do Conselho Nacional de Turismo
Diretor do Jornal de Turismo

A Organização Mundial de Turismo (OMT) escolheu 2007 como sendo "o ano das mulheres" e, para tanto, lançou o tema "O Turismo abre as portas às mulheres" para festejar o Dia Mundial do Turismo, em 27 de setembro. Muito mais do que celebrar o importante papel que o sexo feminino tem conquistado ao longo dos últimos anos e até das últimas décadas, o tema deveria servir também de pano de fundo para importantes reflexões, afinal, as portas do turismo sempre estiveram abertas às mulheres, o que faltava eram estas tomarem os seus lugares nesta área de forma justa, principalmente nos cargos mais relevantes. Nos setores de aviação, hotelaria, gastronomia, gestão pública e outros que compõem o turismo, as mulheres desde o início tiveram o seu destaque, mas poucas delas chegavam aos mais altos cargos executivos.

Hoje, o Brasil assiste a uma conjunção nunca vista no setor. Em quatro dos cargos mais importantes do turismo, há uma mulher à frente. No Ministério do Turismo, temos Marta Suplicy, ex-prefeita da maior cidade do País, que abraçou o turismo com afinco e projetos inovadores. Na Embratur, a alagoana Jeanine Pires tornou-se no ano passado a primeira mulher a assumir a presidência da entidade e arranca elogios de todo o trade turístico. Nas duas casas do legislativo brasileiro, mulheres também comandam as comissões relacionadas ao setor: Lídice da Matta (PSB-BA) preside a Comissão de Desporto e Turismo da Câmara dos Deputados e Lúcia Vânia (PSDB-GO), a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado. De forma simbólica, elas representam milhares de mulheres que batalham todos os dias no setor de turismo, seja em cargos de destaque, seja nos mais humildes.

Entre as comemorações do Dia Mundial do Turismo, um dos destaques fica para a Semana do Turismo da Câmara, que entre sessões especiais, premiações e lançamentos editoriais, também realizou a exposição "Quarenta Anos da Mulher no Turismo Nacional", em que o Jornal de Turismo empresta as suas páginas para reverenciar algumas das mulheres que fizeram a história do turismo nas últimas quatro décadas, como a empresária Lucy Bloch, que foi presidente da Combratur na época de JK, a jornalista Joana Palhares, uma das mais importantes repórteres especializadas no setor de todos os tempos, a agente de viagens Tia Augusta, um ícone das viagens Disney, a executiva Letícia Bezerra de Mello, a jornalista Luíza Sampaio, entre tantas outras. Nos 20 painéis, expostos no saguão da Câmara dos Deputados pelo Sesc/Senac, são mais de 50 mulheres homenageadas, culminando com um painel com as quatro mulheres que comandam o nosso turismo hoje.

Mas nem só de homenagens este dia deve servir. Ainda há muito o que conquistar, principalmente no setor privado. Talvez tenha faltado, principalmente aqui no Brasil, mais discussões acerca do papel da mulher no turismo. Afinal, muitas ainda fazem dupla jornada (em casa e no trabalho) para garantir a sua sobrevivência profissional e ainda o bem-estar de suas famílias. Existe, em geral, certa dificuldade em conciliar os papéis, em especial os de executiva e de mãe, mas quando se quer - e com alguma ajuda doméstica - é possível corresponder em plenitude.

Faltam leis que possam facilitar este processo, mas isso mereceria discussões aprofundadas na nossa sociedade e, principalmente, nas nossas casas legislativas. As discussões não podem ficar restritas a apenas esta Semana do Turismo, mesmo porque, elas são muito mais complexas do que se pode imaginar. O turismo brasileiro, por exemplo, emprega 1,998 milhão de mulheres, 40,12% sem carteira assinada, segundo pesquisa do Governo.

Fica aqui a nossa homenagem, mas também o nosso alerta, para que as discussões tenham sequência, dando a oportunidade de que as mulheres conquistem o seu espaço com igualdade e merecimento. Mais do que abrir as portas do Turismo às mulheres é necessário mudar mentalidades e criar as mesmas condições para que homens e mulheres possam progredir na carreira, terem remunerações idênticas e iguais oportunidades de emprego.

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